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O Rato Rogério
Geraldo Peres Generoso


VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: bvoratoro345
© VirtualBooks 2003,
Idioma: português

Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
Software Grátis requerido: Adobe Acrobat Reader

Trechos do livro eletrônico

O Rato Rogério
Geraldo Peres Generoso
desenhos de AÍDA SIMÕES

   Nasci numa oficina de consertos de aparelhos de rádio e televisão. Era um lugar muito agradável, bem ao gosto de um  rato, como este que ora lhe escreve. Sempre gostei de aventuras e perigos. Eu e meus irmãos brincávamos muito de esconder dentro dos velhos e empoeirados rádios. Eram muitos os aparelhos que seu Rafael deixava esparramados pelo salão.

     Nossa hora de folguedos ia das 7 horas da manhã até quase 9 horas. Depois parávamos e cada um ia para o seu lado porque seu Rafael chegava.

      Sempre aquela mesma  vidinha: o ruído na chave; o rapaz entrava esfregando os olhos ainda   úmidos de sono, e a gente dando no para não ser apanhado.

     Junto àquele local de trabalho onde nos acampamos morava um homem sozinho, o seu Nelson. Era , à meia parede da oficina que fazíamos nossas refeições.

     Como não ficava ninguém na casa, aquele lar   passou a ficar   por nossa conta.  Ali a gente dispunha de arroz, feijão , às vezes até mesmo de um apetitoso queijo. De vez em quando um toucinho defumado nos insultava no fumeiro do fogão à lenha. Como ratos, não queríamos outra vida.

     À medida que fui crescendo , comecei a entender melhor o mundo e as suas coisas. O dono da oficina passou a desconfiar que não estava em seu estabelecimento, pelo qual pagava religiosamente o alugue.  Por mais que evitássemos deixar pistas, sempre ficava algum sinal de nossa presença. Sem falar em quando provocávamos algum ruído: o rapaz ficava de orelha em pé.

     Para complicar ainda mais a nossa situação, o técnico de quem éramos ignorados inquilinos, passou a receber muitos rádios e televisores para consertar. Como resultado desse aumento de serviços, o rapaz passou, também, a trabalhar à noite. Eu até me preocupava com a saúde dele, visto que era um moço franzino, de corpo miúdo e baixa estatura.

     Foi por isso que, daí por diante, me obriguei a permanecer mais tempo em casa de seu Nelson, não para jantar, que era de costume.

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