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O
Rato Rogério
Geraldo Peres Generoso
desenhos de AÍDA SIMÕES
Nasci numa
oficina
de
consertos
de
aparelhos
de
rádio
e
televisão.
Era
um
lugar
muito
agradável,
bem
ao
gosto
de
um
rato,
como
este
que
ora
lhe
escreve.
Sempre
gostei de
aventuras
e
perigos.
Eu
e
meus
irmãos
brincávamos
muito
de
esconder
dentro
dos
velhos
e empoeirados
rádios. Eram
muitos
os
aparelhos
que
seu
Rafael deixava esparramados
pelo
salão.
Nossa
hora
de
folguedos
ia das 7
horas
da
manhã
até
quase
9
horas.
Depois
parávamos e
cada
um
ia
para
o
seu
lado
porque
seu
Rafael chegava.
Sempre
aquela
mesma vidinha:
o
ruído
na
chave; o
rapaz
entrava esfregando os
olhos
ainda
úmidos
de
sono, e a
gente
dando no
pé
para
não
ser
apanhado.
Junto
àquele
local
de
trabalho
onde
nos
acampamos morava
um
homem
sozinho, o
seu
Nelson.
Era
lá, à
meia
parede
da
oficina
que
fazíamos nossas
refeições.
Como
não
ficava
ninguém
na
casa,
aquele
lar
passou
a
ficar
por
nossa
conta.
Ali
a
gente
dispunha de arroz,
feijão
, às
vezes
até
mesmo
de
um
apetitoso
queijo. De
vez
em
quando
um
toucinho
defumado
nos
insultava no
fumeiro
do
fogão
à
lenha.
Como
ratos,
não
queríamos
outra
vida.
À
medida
que
fui
crescendo
, comecei a
entender
melhor
o
mundo
e as
suas
coisas. O
dono
da
oficina
passou a
desconfiar
que
não
estava
só
em
seu
estabelecimento,
pelo
qual
pagava
religiosamente
o alugue.
Por
mais
que
evitássemos
deixar
pistas,
sempre
ficava
algum
sinal
de
nossa
presença.
Sem
falar
em
quando
provocávamos
algum
ruído: o
rapaz
ficava de
orelha
em
pé.
Para
complicar
ainda
mais
a
nossa
situação, o
técnico
de
quem
éramos ignorados
inquilinos, passou a
receber
muitos
rádios
e
televisores
para
consertar.
Como
resultado
desse
aumento
de
serviços, o
rapaz
passou,
também, a
trabalhar
à
noite.
Eu
até
me
preocupava
com
a
saúde
dele,
visto
que
era
um
moço
franzino, de
corpo
miúdo
e
baixa
estatura.
Foi
por
isso
que, daí
por
diante,
me
obriguei a
permanecer
mais
tempo
em
casa
de
seu
Nelson, não
só
para
jantar,
que
já
era
de
costume.
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