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O LIMPADOR DE CHAMINÉ
Hans Christian Andersen
POR
acaso você já viu um desses armários
antigos, todos negros de velhice, com espirais
e flores esculpidas? Pois era exatamente um desses
armários que se encontrava no aposento:
ele vinha da trisavó e de cima até
embaixo era ornado de rosas e tulipas esculpidas.
Mas o que havia de mais estranho,
eram as espirais, de onde saíam pequenas
cabeças de veado com seus grandes chifres.
No meio do armário via-se esculpido um
homem de singular aparência: fazia uma careta,
pois não se podia dizer que ele sorria.
Tinha pernas de bode, pequenos
chifres na cabeça e uma longa barba. As
crianças o chamavam de o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode,
nome que pode parecer longo e difícil,
mas um título com o qual poucas pessoas
foram honradas até hoje. Enfim, ele estava
lá, com os olhos sempre fixos no consolo
colocado sob o grande espelho, em cima do qual
estava posta uma graciosa pequena pastora de porcelana.
Ela usava sapatos dourados,
um vestido enfeitado com uma rosa viçosa,
um chapéu dourado e um cajado: era encantadora.
Ao lado dela estava um pequeno limpador de chaminés,
negro como carvão, e de porcelana também.
Ele era muito bonito, pois, na realidade, não
era senão o retrato de um limpador de chaminés.
0 fabricante de porcelana poderia ter feito dele
um príncipe, o que teria sido a mesma coisa.
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