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O JARDIM DO PARAÍSO
Hans Christian Andersen
ERA
uma vez o filho de um rei; e ninguém nunca
teve livros tão lindos como ele teve. Podia
ler a respeito de todas as coisas que aconteciam
neste mundo e ver tudo isso representado nas mais
belas estampas.
Tinha meios de informar-se,
pelos livros, de todos os países e nações
da terra; mas quanto ao lugar em que se encontrava
o Jardim do Paraíso, não lhe foi
possível encontrar a menor indicação.
E era justamente nisso que ele pensava com maior
freqüência.
Quando era pequeno e se dispunha
a iniciar a vida escolar, sua avó lhe dissera
que cada uma das flores do Jardim do Paraíso
era uma deliciosa torta e que seus pistilos estavam
cheios de vinho.
Numa das flores estava escrita
a História, noutra a Geografia ou a Matemática;
as crianças, assim, só teriam que
comer uma torta e já sabiam a lição.
E quantas mais comiam, mais História, Geografia
e Matemática sabiam. E o príncipe
menino acreditava nisso tudo, porém, ao
crescer e conhecer mais coisas, começou
a dar-se conta de que os prazeres e delícias
do Jardim do Paraíso deviam ser superiores
ao que sua avó lhe contara.
- Por que Eva chegou
até a árvore da sabedoria? Por que
Adão comera o fruto proibido? Se não
tivessem estado ali, isso não teria acontecido
e o pecado não teria entrado no mundo.
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