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LUKOIE
Hans Christian Andersen
NINGUÉM
no mundo é capaz de contar tantas e tão
bonitas estórias como Olé Lukoie.
Quantas estórias ele sabe! Quando anoitece
e as crianças estão em volta da
mesa, comportando-se da melhor maneira possível,
sentadas em suas cadeiras, Olé Lukoie entra
cautelosamente.
Sobe as escadas descalço,
tão silenciosamente e abrindo a porta com
tanto cuidado, que ninguém pode ouvi-lo.
Imediatamente, puff! joga um punhado de pó
muito branco e muito fino nos olhos das crianças,
que já não conseguem tê-los
muito abertos, devido ao sono que está
chegando e por isso não o vêem.
Vai até as suas costas
e sopra em seus pescoços de tal forma,
que as cabecinhas vão ficando pesadas,
como se fossem de chumbo; mas nunca lhes causa
o menor dano, ia que age dessa maneira por gostar
muito de crianças. Só deseja que
fiquem quietinhas, para que possa deitá-las,
e quando já estão em suas caminhas,
conta-lhes as suas estórias.
Enquanto as crianças
estão adormecendo, Olé Lukoie se
senta na cama. Vai muito bem vestido; sua roupa
é de seda, mas seria impossível
saber de que cor é, porque de cada vez
que se volta ela brilha com reflexos veres, vermelhos
e azuis.
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