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As Três Missas
do Galo
Alphonse Daudet
I
- Dois perus trufados, Garrigou?
- Exatamente, senhor abade,
dois magníficos perus, recheados de trufas.
Ninguém o sabe melhor que eu, pois ajudei
a recheá-los. As peles estavam tão
retesadas, que pareciam querer estourar...
- Jesus! Maria! E eu que
gosto tanto de trufas! Dá-me depressa a
sobrepeliz, Garrigou . . . E que mais viste, na
cozinha, além dos perus?
- Oh, uma infinidade de iguarias
alucinantes... Desde o meio-dia que não
fizemos outra coisa senão depenar faisões,
codornas, perdizes, frangos . . . As penas esvoaçavam
por todos os cantos... E, da piscina, trouxeram
enguias, carpas douradas, trutas e . . .
- São muito grandes
as trutas?
- Deste tamanho, reverendo!
. . . Enormes! . . .
- Oh! meu Deus! . . . Até
me parece vê-las . . . Puseste o vinho na
galheta?
- Sim, reverendo, já
pus o vinho na galheta... Mas nem se compara com
o vinho que o senhor abade beberá logo
ao sair da missa do galo. Se visse o salão
de jantar do castelo! . . . Se contemplasse todas
aquelas garrafas reluzentes e repletas de vinho
de todas as cores! . .
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