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A VELHA MANSÃO
Hans Christian Andersen
AQUELA
velha mansão! Tinha perto de trezentos
anos, como se podia ver por uma inscrição
gravada numa viga, no meio de uma guirlanda de
tulipas. Sob a porta podiam-se ler versos escritos
na ortografia antiga, e sob cada janela estavam
esculpidas figuras que faziam caretas engraçadas.
A casa tinha dois andares
e no teto havia uma goteira terminada por uma
cabeça de dragão. A chuva devia
escoar-se na rua por essa cabeça; mas ela
se escoava pelo ventre, pois a goteira tinha um
buraco no meio.
Todas as outras mansões
daquela rua eram novas e próprias, ornadas
de grandes azulejos e muros brancos. Pareciam
desdenhar a sua velha vizinha.
"Quanto tempo
ainda este barraco vai ficar aqui?", pensavam
elas; "tira-nos toda a vista de um lado.
Sua escadaria é larga como a de um castelo
e alta como a da torre de uma igreja. A grande
porta de ferro maciço parece a de uma antiga
sepultura, com seus botões de couro. Que
coisa! Imaginem só!"
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