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A Pequena Vendedora
Hans Christian Andersen
ERA
uma hora muito avançada da véspera
de Ano Novo. Fazia um frio terrível e nevava
copiosamente. Uma pobre menina andava errante
pelas ruas desertas; ia descalça e com
a cabeça descoberta.
Ao sair de casa levava seus
sapatos velhos, mas não lhe serviam de
muito, por estarem muito grandes para ela. Sua
mãe os usara até - que se rasgassem
e caíram dos pés da menina ,quando
ela atravessara a rua correndo, para evitar os
carros que corriam a toda pressa. Um deles ela
não pôde encontrar, por mais que
procurasse, e o outro fora
levado por um traquinas, que saiu correndo, dizendo-lhe
que o utilizaria como berço para seus filhos,
quando os tivesse.
E assim a pobre menina teve
que continuar andando com os pés descalços,
os quais já estavam vermelhos e enregelados
pelo frio.
Levava uma quantidade de
fósforos no avental velho e na mão
carregava um pacote. Não vendera nada durante
aquele longo dia e ninguém também
lhe dera uma só moeda de cobre. A pobrezinha
estava faminta e morta de frio, oferecendo o mais
triste aspecto de miséria.
Flocos de neve iam
caindo em seus cabelos louros, que emolduravam
lindamente o seu rosto, mas ela não se
importava com isso.
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