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A Língua Mata
Gilson Martins
Nas
terras do faz de conta que eu conto este conto
sem aumentar um ponto, o povo era governado por
um rei, Sabichão III, homem justo e popular.
Para os habitantes daquele pequeno reino, o rei
era o deus da justiça. Respeitado e temido
por suas prudentes decisões. No tribunal,
sua palavra era a primeira e a última:
sim ou não e ponto final. Muitas vezes
não era necessário nem falar, bastava
um simples gesto e o fato estava consumado. Polegar
erguido: inocente; polegar baixo: execução.
A cabeça seria separada do corpo na guilhotina,
na presença de todos os súditos.
“A guilhotina era um instrumento de decapitação,
no qual o golpe é desferido por uma lâmina
triangular precipitada de certa altura. A guilhotina,
contrário ao bom senso, mudou de direção
de um projeto de um humanitarista, o doutor Guilliotin,
no ano de 1789. Pouco menos de três anos
após, esta máquina de matar em massa
começou a ceifar vidas em várias
partes do mundo, numa rotina que parecia não
ter mais fim”. Não existia prisão,
nada de ficar preso vivendo e comendo as custas
dos cidadãos. O simples fato de alguém
ficar uns dias sem trabalhar era motivo
suficiente de ser levado ao tribunal
e quase sempre condenado à morte. Dizia
o rei: “Quem não produz frutos é
árvore morta”. Excluindo as crianças,
idosos e doentes que eram tratados com toda dignidade
e carinho. Por este e outros motivos o seu reinado
foi próspero e abundante, pois nunca, até
então, fora visto tanta fartura em um só
lugar. O povão tinha de tudo para ser feliz:
alimentação, educação,
saúde e muito lazer.
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