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FILEBO
Platão


Membros do grupo de discussão Acrópolis
Formato:
eBookEditPro
Código: VBOfilebo987
Idioma: Português
Versão para eBook: eBooksBrasil.com
Observação sobre o formato eBookEditProTM:
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Trechos do livro eletrônico

FILEBO
Platão

Escrito em 360 A.C.
Personagens do Diálogo: Sócrates, Protarco, Filebo 

     ISócrates — Então vê, Protarco, em que consiste a tese de Filebo, cuja defesa vais fazer, e também a nossa, que terás de contestar, no caso de não a aprovares. Queres que recapitulemos as duas?
     Protarco — Perfeitamente.
     Sócrates — Ora bem: o que Filebo afirma, é que, para todos os seres animados, o bem consiste no prazer e no deleite, e tudo o mais do mesmo gênero. De nossa parte, defendemos o princípio de que talvez não seja nada disso, mas que o saber, a inteligência, a memória e tudo o que lhes for aparentado, como a opinião certa e o raciocínio verdadeiro, são melhores e de mais valor que o prazer, para quantos forem capazes de participar deles, e que essa participação é o que há de mais vantajoso pode haver para os seres em universal, presentes e futuros. Não foram esses pontos, Filebo, mais ou menos, que cada um de nós defendeu?
     Filebo — Isso mesmo, Sócrates; sem tirar nem pôr.
     Sócrates — E agora, Protarco, aceitas amparar a tese que te confiamos?
     Protarco — Sou obrigado a aceitar, uma vez que o belo Filebo já cansou.
     Sócrates — Por todos os meios, haveremos de atingir a verdade nesse terreno.
     Protarco — Sem dúvida.
     IISócrates — Muito bem; acrescentemos ao que ficou dito mais o seguinte.
     Protarco — Que será?
     Sócrates — A partir deste momento, cada um de nós se esforçará por demonstrar qual é o estado e a disposição da alma capaz de proporcionar vida feliz aos homens. Não é isso mesmo?
     Protarco — Exato.
     Sócrates — Então, compete a vós ambos demonstrar que é o prazer; e a mim, a sabedoria.
     Protarco — Perfeitamente.
     Sócrates — E se descobrirmos outro estado, superior a esses? No caso de revelar-se mais aparentado com o prazer, não será certeza ficarmos ambos vencidos pela vida reforçada com essa vantagem, mas que a vida do prazer levará a melhor, com relação a da sabedoria.?
     Protarco — Isso mesmo.
     Sócrates — E se tiver maior afinidade com a sabedoria, esta é que vencerá o prazer, que acabará derrotado. Admites também esse ponto, ou não?
     Protarco — Eu, pelo menos, admito.
     Sócrates — E tu, Filebo, o que me dizes?
     Filebo — De meu lado, sou de opinião que, de todo o jeito, o prazer sairá vencedor; mas a ti, Protarco, é que compete decidir.
     Protarco — Desde que nos transferiste a discussão, Filebo, perdeste o direito de concordar com Sócrates ou divergir dele.
     Filebo — Tens razão; e assim, daqui em diante considero-me desobrigado de responder, para o que invoco o testemunho da própria deusa.
     Protarco — Nós, também, juntamos ao teu o nosso testemunho, com respeito a essa declaração. E agora, Sócrates, quer Filebo concorde, quer faça o que entender, procuremos desenvolver nossos argumentos até o fim.
     IIISócrates — Sim, façamos isso mesmo, a começar pela própria divindade que, segundo Filebo, se chama Afrodite, mas cujo verdadeiro nome é Prazer.
     Protarco — Certíssimo.
     Sócrates — Não é humano, Protarco, o medo que sempre revelo, com respeito aos nomes do Deuses; excede a toda espécie de temor; foi por isso que eu designei Afrodite da maneira mais do seu agrado. Quanto ao prazer, sei muito bem que é vário e múltiplo; e, uma vez que vamos começar por ele, conforme declaramos, compete-nos estudar, desde logo, sua natureza. Quando o ouvimos designar, parece único e muito simples; mas, em verdade, assume as mais variadas formas, que, de certo jeito, são totalmente dessemelhantes entre si. Atende ao seguinte: dizemos que o indivíduo intemperante sente prazer, como afirmamos a mesma coisa do temperante, pelo fato de ser temperante, e também do insensato repleto de opiniões e de esperanças loucas, e do próprio sábio, por ser este o que é, realmente: sábio. Ora, quem afirmasse que são iguais essas duas espécies de prazer, com todo o direito não poderíamos abordá-lo de irracional?

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