|
DINOSSAUROS
DO BRASIL
Vários
Autores
Novas
espécies de ovos e de dinossauros descritos no
Brasil podem ser exclusivos
A
bióloga Claudia Maria Magalhães Ribeiro descreveu,
pela primeira vez, um ovo de dinossauro encontrado
no Brasil, em nível de gênero, e descobriu que o
espécime pertence a um gênero diferente dos
achados já relatados dentro da família pesquisada
e relacionados a descobertas feitas na Argentina,
Espanha, França, Índia e Romênia. Além disso, o
ovo é também diferente de outros relatados na
literatura específica para ovos fossilizados, o que
implica, necessariamente, em outra espécie. Em
pesquisa distinta, o paleontólogo Rodrigo Santucci
descreveu quatro espécies brasileiras, igualmente
diferentes das já conhecidas de titanossauros,
dinossauros gigantes e herbívoros que viveram não
só aqui, mas também na Argentina, França,
Espanha, Inglaterra, Romênia, Índia, África,
Madagascar e na América do Norte.
O
trabalho de Claudia resultou na defesa de sua tese
de doutorado, pelo departamento de Geologia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há
pouco mais de vinte dias. Mas não acabou aí. Há
parte do material, analisado por ela, ainda não
classificado. Mesmo o que foi coletado e já
identificado, um ovo encontrado em Peirópolis
(Uberaba/MG), em 99, já tem nome científico e que
será publicado em breve, entretanto, nomear uma
nova espécie não é algo simples, como leigos
poderiam presumir. É um trabalho que requer anos de
estudo detalhado.
Encontrado quase inteiro, o ovo que Claudia analisou
estava também muito bem preservado, o que colaborou
para a classificação, segundo ela. "Os
processos envolvidos na preservação do material
foram muito favoráveis. O material deve ter sido
recoberto rapidamente", explica. Menos da
metade de outro ovo, esse achado em 93, e diversos
fragmentos de casca de ovos foram estudados e
classificados juntamente com o espécime de Peirópolis,
trabalho que ela publicará também este ano.
Rodrigo Santucci está igualmente com seu trabalho
por concluir. Depois de identificar três outras espécies
de titanossauros, cujo material fóssil foi
encontrado também em Peirópolis, ele ainda precisa
terminar a descrição dos bichos e batizá-los.
"O normal é que o nome evoque alguma
particularidade do local onde o animal foi
encontrado, ou que tenha a ver com a unidade geológica,
ou alguma característica do próprio fóssil, mas não
é tão fácil quanto parece", explica. É
tarefa, segundo ele, que consumirá praticamente o
primeiro semestre deste ano. Ele mostrou as conclusões
sobre as três novas espécies ao defender sua tese
de mestrado em janeiro último, pelo departamento de
Geologia Aplicada da Universidade Estadual Paulista
(Unesp). O material estudado refere-se a vértebras
de cauda e vértebras dorsais e de fragmentos do íleo,
osso da bacia.
Ovos e esqueletos fossilizados, como é o caso do
estudo de Claudia e Rodrigo, respectivamente,
obrigam ao desenvolvimento de metodologias de estudo
diferenciadas. Mas ambas as pesquisas apresentam
algo em comum entre si e entre praticamente tudo o
que é objeto da paleontologia, pois retratam parte
dos animais e dos vestígios fósseis que
pertenceram a uma época remota, e que ficaram
preservados nas rochas. São estudos que, embora
respondam a muitas questões, suscitam tantas
outras.
Para Claudia, o fato de ter ocorrido no Brasil o ovo
de um saurópode, esse grande grupo ao qual
pertenciam os titanossauros, diferentemente de
outros ovos já descritos, pode indicar que aqui
viveram espécies muito particulares desses animais
e por que não dizer endêmicas. "Pela idade do
material e por tratar-se de um novo gênero, isto
corrobora o fato de que é um ovo diferente de
outros já encontrados no mundo", diz. Mas essa
é uma pergunta que pede muitos outros estudos,
inclusive com a colaboração da geologia.
|