O
Monismo - Laço entre a Religião e a Ciência
Ernest
Haeckel
O
Monismo Laço entre a religião e a ciência
(PROFISSÃO DE FÉ DE UM
NATURALISTA)
Prefácio do autor
A seguinte conferência sobre o Monismo é um simples discurso de circunstância, que se improvisou em Altemburg, por ocasião do jubileu do 75.° aniversário da “Naturforschenche Gesellschaft des Osterlandes”. A causa direta deste improviso foi um discurso pronunciado nesta cerimônia pelo professor sr. Schlesinger, de Viena, sobre os artigos de fé das ciências naturais (naturwissenschaftliche Glaubensätze). Várias proposições deste discurso filosófico tocavam nas questões mais importantes e
elevadas do conhecimento da natureza pelo homem, sendo indiscutíveis umas e reclamando outras asserções uma resposta imediata com a exposição das idéias contrárias. Como eu me ocupo, há trinta anos, do estudo profundo deste problema de filosofia natural e como expus em diversos escritos as minhas convicções monistas, numerosos membros me exprimiram o desejo de as ver resumidas nesta circunstância solene. É para corresponder a esse desejo que a presente Profissão de fé de um naturalista foi feita.
O seu conteúdo essencial, tal como a escrevi de memória no dia seguinte àquele em que ela foi pronunciada, apareceu primeiramente na Altenburger Zeitung. Uma reimpressão desta primeira comunicação fez-se, acompanhada de alguns suplementos filosóficos, na Freie Bühne für den Entwickelanskampf der Zeit, primeiro fascículo de novembro (Berlim, III, 11). Na presente memória, o discurso de Altemburgo foi aumentado com proposições importantes, tendo-se dado mais desenvolvimento a outras partes. Nas notas esclareci, no sentido
monista, alguns problemas de flagrante atualidade.
O fim da minha sincera profissão de fé monista é duplo. Primeiramente desejaria dar uma idéia da concepção racional do mundo, imposta como uma necessidade lógica pelos recentes progressos do conhecimento unitário da natureza. Sentem-na no fundo todos os naturalistas independentes e que pensam, embora um pequeno número tenha somente a coragem ou a necessidade de a confessar. Em segundo lugar queria estabelecer por esse motivo um laço entre a religião e a ciência e contribuir assim para o desaparecimento da oposição que tão mal se estabeleceu nestes domínios superiores do pensamento humano. A necessidade moral do nosso sentimento será satisfeita pelo Monismo, como a necessidade lógica de causalidade do nosso juízo.
Esta aproximação natural da crença e da ciência, esta conciliação racional do sentimento e do raciocínio, tornam-se cada vez mais uma exigência instante nas esferas esclarecidas, como se depreende da enorme quantidade de brochuras e de livros publicados sobre o assunto. Na América do Norte,
em Chicago, aparece à publicidade, há já alguns anos, uma revista hebdomadária que tem por objetivo:
The open Court, a weekly Journal devoted to the Work of conciliating Religion with Science. O seu excelente editor, dr. Paulo Carus, autor da obra The Soul of Man, publica além disso uma outra revista
trimestral intitulada: The Monist, a quarterly
Magazine. Era para desejar que estas preciosas tentativas conciliadoras entre a consideração positiva da natureza e a especulação, entre o realismo e o idealismo, tivessem melhor apreço se fossem mais animadas; porque é somente pela sua união natural que podemos atingir o fim supremo da nossa atividade intelectual, o
funcionamento da religião e da ciência no Monismo.
ERNESTO HAECKEL
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