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MONTEIRO
LOBATO
GIAN DANTON
INTRODUÇÃO
Literatura é, antes de tudo, um veículo de idéias.
Monteiro Lobato é uma prova disso. Tudo que ele escreveu foi na defesa de seus ideais. Primeiro mostrar
ao Brasil o que realmente era o interior. Antes dele a
imagem que se tinha do sertanejo era de um indivíduo
bonito, alto, forte, galante. O homem do campo era tudo isso? Qual nada! O Jeca era pobre e doente,
cheio de vermes. Um sujeito que não ganhava ânimo e passava o dia inteiro acocorado sobre os joelhos,
pitando o inevitável cigarro de palha.
Depois foi o petróleo. Mesmo contra todos, Lobato
insistia que o Brasil tinha petróleo. Escreveu artigos
em jornais e até um livro desmascarando a campanha das companhias americanas para impedir que o Brasil
descobrisse o seu petróleo.
Por último, cansado das gentes grandes, Lobato
voltou-se para as crianças. Seus livros infantis não
eram só divertidos. Eles partiam da idéia de que as
crianças não podem ser tratadas como bobalhonas. Seus livros falavam de todos os assuntos, de filosofia
a petróleo. Antes dele todas as histórias infantis
terminavam com a inevitável lição de moral, que explicava a história, como se as crianças fossem
incapazes de a entenderem sozinhas. Lobato encorajava os pequenos a pensarem por si mesmos e
dava um breca na lição de moral. "O mundo é dos
espertos", dizia.
Atualmente ele é lembrado quase que
exclusivamente como um escritor de livros infantis. O
que é uma pena. Lobato é famoso, mas pouco conhecido. O objetivo deste livro é justamente tentar
dar uma visão mais ampla de quem foi essa importante
figura.
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