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O
18 Brumário de Luis Bonaparte
Karl Marx
APRESENTAÇÃO
O
18 Brumário é um texto de grande
significação para as Ciências
Sociais, não só pelo seu conteúdo
como pela metodologia empregada. Trata de um período
importante da história da França,
quando se desenvolveram idéias que influenciariam
os movimentos políticos em todo o mundo,
até nossos dias. Marx, com um conhecimento
profundo do período e utilizando um método
rigoroso, soube interpretá-lo com profundidade.
Pode
ser lido por vários ângulos. Eu,
particularmente, entendo que seja uma análise
do papel do indivíduo na história.
Logo ao início Marx afirma: "Os homens
fazem sua própria história, mas
não a fazem como querem; não a fazem
sob circunstâncias de sua escolha e sim
sob aquelas com que se defrontam diretamente,
legadas e transmitidas pelo passado". Não
é instigante?
Mais
tarde, no prefácio à 2a. edição,
o autor assegurou: "Eu, pelo contrário,
demonstro como a luta de classes na França
criou circunstâncias e condições
que possibilitaram a um personagem medíocre
e grotesco desempenhar um papel de herói".
As teses defendidas talvez nos ajudem a compreender
melhor nossos dirigentes, do passado e de hoje.
É
um texto que merece ser lido e, mais do que isso,
estudado com atenção.
Nélson
Jahr Garcia
O
18 Brumário de Luis Bonaparte
Capítulo
I
Hegel observa em uma de suas
obras que todos os fatos e personagens de grande
importância na história do mundo
ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se
de acrescentar: a primeira vez como tragédia,
a segunda como farsa. Caussidière por Danton,
Luís Blanc por Robespierre, a Montanha
de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho
pelo tio. E a mesma caricatura ocorre nas circunstâncias
que acompanham a segunda edição
do Dezoito Brumário! Os homens fazem sua
própria história, mas não
a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias
de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam
diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.
A tradição de todas as gerações
mortas oprime como um pesadelo o cérebro
dos vivos. E justamente quando parecem empenhados
em revolucionar-se a si e às coisas, em
criar algo que jamais existiu, precisamente nesses
períodos de crise revolucionária,
os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio
os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado
os nomes, os gritos de guerra e as roupagens,
a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada.
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