Outros livros grátis

Alemão

Espanhol

Francês

Inglês

Italiano

Português

 
 

Clássicos

::Clássicos, em inglês, de Charles Darwin, Freud, James Joyce e muitos outros para você ler agora

Marx e Engels

::Os escritos de Marx e Engels, em inglês, para você ler agora

Teatro on-line

::Peças de teatro mundial, em inglês, para você ler agora

Shakespeare

::O teatro de Willian Shakespeare para você
ler agora:
::Teatro em português

::Teatro em inglês

Novelas on-line

::Novelas, em inglês, para você ler agora

Tutoriais

::Como instalar Acrobat Reader
::Como abrir um arquivo zipado
::Como fazer download

Ferramentas

:: Para abrir os livros:
»WinZip
:: Para ler os livros:
»Acrobat Reader
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Dúvidas

»O que é um livro eletrônico?

»
Como leio um livro eletrônico?

»
Posso imprimir o livro eletrônico?

»Por que tenho que ler o livro eletrônico no Adobe Acrobat Reader?

»
Quanto tempo para copiar um livro eletrônico?
 
 
Sobre os textos

jarhgarcia.JPG (7436 bytes)Os textos da COLEÇÃO RIDENDO CASTIGAT MORES foram  gentilmente cedido por Nélson Jahr Garcia, que nasceu em São Paulo, formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Professor da USP, e de outras Faculdades Particulares. Fez mestrado e doutoramento em Ciências da Comunicação na ECA-USP. Escreve livros, artigos. É webdesigner e ebook-publisher.

 

 

 

As Opiniões e as Crenças
Gustave Le Bon

VirtualBooks
Formato:e-book/ eBookEditPro
Código:RCM
© Ridendo Castigat Mores, 2002
Linguagem: Português
Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
Software Grátis requerido: Adobe Acrobat Reader

Trechos do livro eletrônico

As Opiniões e as Crenças
Gustave Le Bon

APRESENTAÇÃO

     Gustave Le Bon (1841-1931) foi o fundador da Psicologia Social.
     Escreveu inúmeras obras, dentre as quais se destacam: "A psicologia das multidões", "A psicologia do socialismo", "A psicologia das revoluções".
     Apresentamos um dos grandes trabalhos: "As opiniões e as crenças". Dificilmente se poderia estudar temas como: teoria do conhecimento, ideologia, religiões, superstições, comportamento das massas, propaganda, persuasão sem estudar e se apoiar em Le Bon.
     Em "As opiniões e as crenças", depois de discutir os recursos metodológicos de análise da Psicologia, Le Bon explica o papel do prazer e da dor, para então avaliar as características do consciente e inconsciente. De forma brilhante, apresenta as várias formas de lógica: biológica, afetiva, coletiva, mística e racional.
     Dai em diante, passa a analisar as opiniões e crenças, sua gênese, desenvolvimento, transformação, propagação. Não deixa de discutir a morte das crenças.
     É uma obra de incrível atualidade, talvez tenham conseguido aprofundá-la, superar ainda não.

Nélson Jahr Garcia

CAPÍTULO I

OS CICLOS DA CRENÇA E DO CONHECIMENTO

1 – As dificuldades do problema da crença.

     O problema da crença, por vezes confundido com o do conhecimento é, entretanto, muito distinto dele. Saber e crer são coisas diferentes, que não têm a mesma gênese.
     Das opiniões e das crenças deriva, com a concepção da vida, o nosso modo de proceder, e por conseguinte a maior parte dos acontecimentos da história. Elas são, como todos os fenômenos, regidas por certas leis, mas essas leis não estão ainda determinadas.
     O domínio da crença sempre pareceu repleto de mistérios. É por isso que os livros sobre as origens da crença são tão pouco numerosos, ao passo que são inúmeros os que se referem ao conhecimento.
     As raras tentativas empreendidas no sentido de elucidar o problema da crença bastam, aliás, para mostrar que ele tem sido pouco compreendido Aceitando a velha opinião de Descartes, os autores repetem que a crença é racional e voluntária. Um dos objetivos desta obra será precisamente mostrar que ela não é voluntária nem racional.
     A dificuldade do problema da crença não havia passado despercebida ao grande Pascal. Em um capítulo relativo à arte de persuadir, ele justamente observa que os homens "são quase sempre levados a crer, não pela prova, mas pelo agrado". "Mas, acrescenta ele, a maneira de agradar é incomparavelmente mais difícil, mais sutil, mais útil e mais admirável: assim, se disso não trato, é porque não sou capaz de fazê-lo; e sinto-me de tal modo incapaz que julgo ser inteiramente impossível".
     Graças às descobertas da ciência moderna, pareceu-me possível o problema perante o qual Pascal recuara.
     A sua solução dá-nos a chave de muitas questões importantes. Como, por exemplo, se estabelecem as opiniões e as crenças religiosas ou políticas? Por que se observam, simultaneamente, em certos espíritos, ao lado de elevadíssima inteligência, superstições muito ingênuas? Por que é tão fraca a razão para modificar as nossas convicções sentimentais? Sem uma teoria da crença, essas questões e muitas outras ficam insolúveis. Somente com o auxílio da razão, não poderiam ser explicadas.
     Se o problema da crença tem sido tão mal compreendido pelos psicólogos e pelos historiadores, é porque eles, têm tentado interpretar com os recursos da lógica racional fenômenos que ela jamais regeu. Veremos que todos os elementos da crença obedecem a regras lógicas, muito seguras, porém inteiramente alheias às que são empregadas pelo sábio nas suas investigações.
     Esse problema atraiu-me constantemente a atenção desde que iniciei os meus estudos históricos. A crença se me afigura ser, na realidade, o principal fator da história. Como, porém, poderiam ser explicados fatos tão extraordinários qual as fundações de crenças, que determinam a criação ou o desaparecimento de civilização pujantes?
     Tribos nômades, perdidas no fundo da Arábia, adotam uma religião que um iluminado lhes ensina, e graças a ela fundam, em menos de cinqüenta anos, um império tão vasto quanto o de Alexandre, ilustrado por uma esplêndida manifestação de maravilhosos monumentos.
     Poucos séculos antes, povos semi-bárbaros se convertiam à fé pregada por apóstolos que vinham de obscuros lugares da Galiléia, e sob a luz regeneradora dessa crença, o velho mundo desabava, substituído por uma civilização inteiramente nova, de que cada elemento permanece impregnado da lembrança do Deus que o originou.
     Cerca de vinte séculos mais tarde, a antiga fé é abalada, estrelas luminosas surgem no céu do pensamento, um grande povo se subleva, pretendendo romper os elos do passado. A sua fé destruidora, porém possante, confere-lhe, a despeito da anarquia em que essa grande Revolução o submerge a força necessária para dominar a Europa armada e atravessar vitoriosamente todas as suas capitais.
     Como se explica esse estranho poder das crenças? Porque se submete o homem, subitamente, a uma fé que ignorava na véspera, e porque o eleva ela tão prodigiosamente, acima de si mesmo? De que elementos psicológicos surgem esses mistérios? É o que procuraremos elucidar.
     O problema do estabelecimento e da propagação das opiniões, e sobretudo das crenças, apresenta aspectos tão maravilhosos que os sectários de cada religião invocam a sua origem e a sua difusão como provas de uma procedência divina. Observam também que essas crenças são adotadas a despeito do mais evidente interesse daqueles que as aceitam. Compreende-se, por exemplo, sem dificuldade, que o Cristianismo se haja. propagado facilmente entre os escravos e todos os deserdados, ao quais prometia uma felicidade eterna. Mas, que forças secretas podiam determinar um cavalheiro romano, um personagem consular, a despojar-se dos seus bens e afrontar vergonhosos suplícios, para adotar uma religião nova e vedada pelas leis?
     Seria impossível evocar a fraqueza intelectual das homens que voluntariamente se submetiam a tal jugo, porquanto, desde a antigüidade até aos nossos dias, se têm observado os mesmos fenômenos nos espíritos mais cultos.
     Uma teoria da crença pode unicamente ser variável quando fornece a explicação de todas essas coisas. Deve, sobretudo, fazer compreender como sábios ilustres e reputados pelo seu espírito crítico aceitam lendas cuja infantil ingenuidade desperta o sorriso. Facilmente concebemos que Newton, Pascal, Descartes, vivendo num meio social saturado de certas convicções, sem discussão aí tenham admitido, como admitiam as leis inelutáveis da natureza. Mas como, nos nossos dias, em meios sobre os quais a ciência projeta tanta luz, não se acham essas mesmas crenças inteiramente desagregadas? Por que as vemos nós, quando por acaso se desagregam, originar outras ficções, maravilhosas, como prova a propagação das doutrinas ocultas, espirituais etc., entre sábios eminentes? A todas essas perguntas deveremos, igualmente, responder.

2. Em que a crença difere do conhecimento.

     Procuremos primeiramente precisar o que constitui crença e em que ela se distingue do conhecimento.
     Uma crença é um ato de fé de origem inconsciente, que nos força a admitir em bloco uma idéia, uma opinião, uma explicação, uma doutrina. A razão é alheia, como veremos, à sua formação. Quando ela tenta justificar a crença, esta já se acha formada.
     Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna-se um conhecimento.
     Crença e conhecimento constituem dois modos de atividade mental muito distintos e de origem muito diferentes: A primeira é uma intuição inconsciente provada por certas causas independentes da nossa vontade; a segunda representa uma aquisição consciente, edificada por métodos exclusivamente racionais, tais como a experiência e a observação Foi somente numa época adiantada da sua história que a humanidade, imersa no mundo da crença, descobriu o conhecimento. Quando aí se penetra, reconhece-se que todos os fenômenos atribuídos outrora às vontades de seres superiores se apresentavam sob a influência de leis inflexíveis.
     Pela simples circunstância de que o homem se iniciava no ciclo do conhecimento, todas as suas concepções do universo se transformaram.
     Mas, nessa nova esfera, não foi ainda possível penetrar muito longe. A ciência reconhece cada dia que nas suas descobertas há muitas coisas desconhecidas As realidades mais precisas ocultam mistérios. Um mistério é a alma ignorada das coisas.
     A ciência se acha ainda envolta nessas trevas e, atrás dos horizontes que ela atinge, outros aparecem, perdidos num infinito que parece recuar sempre.
     Nesse grande domínio, que nenhuma filosofia pode ainda elucidar, jaz o reino dos sonhos, repleto de esperanças; que nenhum, raciocínio poderia destruir. Crenças religiosas, crenças políticas, crenças de toda espécie aí haurem uma força ilimitada. Os fantasmas-temidos que o habitam, são criados pela fé.
     Saber e crer permanecerão sempre como coisas distintas. Ao passo que a aquisição da menor verdade científica exige enorme labor, a posse de uma certeza baseada unicamente na fé não pede nenhum trabalho. Todos os homens possuem crenças; muito poucos se elevam até ao conhecimento.
     O mundo da crença possui a sua lógica e as suas leis. O sábio tem sempre tentado em vão penetrar nessa esfera com os seus métodos. Ver-se-á nesta obra porque perde ele todo o espírito crítico, quando se insinua no ciclo da crença e aí se vê somente perante as mais falazes ilusões.

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

copiar o livro agora

 

sobre o autor

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Copyright© 2000/2002 Virtualbooks Todos os direitos reservados.  All rights reserved.