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Jimmy
Carter recebe Prêmio Nobel da Paz
Brasília, 11/10/2002 (Agência Brasil - ABr/CNN) - O
ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que se
tornou um veemente mediador de conflitos internacionais
e defensor dos direitos humanos desde que deixou a Casa
Branca, há duas décadas, foi laureado hoje com o Prêmio
Nobel da Paz. As expectativas em torno do prêmio foram
dominadas pela tensão ainda reinante no mundo desde os
atentados de 11 de setembro de 2001 – tensão esta
agravada com a guerra contra o terrorismo e os receios
com uma possível ofensiva dos Estados Unidos contra o
Iraque. As informações são da CNN.
O comitê norueguês do Prêmio Nobel recebeu 156 indicações
ao prêmio – 117 indivíduos e 39 grupos. E, embora o
sigilo da lista seja mantido há 50 anos, alguns nomes
vazaram, revelados por aqueles que promoveram as
candidaturas. Entre outros, concorriam ao Nobel da Paz o
presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, o ex-prefeito
de Nova York Rudolf Giuliani e o cantor Bono, líder da
banda U2 e que, nos últimos meses, intensificou sua
campanha mundial contra a fome e a pobreza.
Também o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush,
e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, eram
candidatos. Mas suas chances de vencer foram minguando
drasticamente à medida que os dois se posicionavam cada
vez mais a favor de um ataque ao Iraque.
No ano passado, o laureado foi o secretário-geral das
Nações Unidas, Kofi Annan.
"O Comitê Norueguês do Nobel decidiu conceder o
Prêmio Nobel da Paz de 2002 a Jimmy Carter por suas décadas
de esforço incansável para encontrar soluções pacíficas
para os conflitos internacionais, para fazer a
democracia e os direitos humanos avançarem e promover o
desenvolvimento econômico e social", declarou o
presidente do comitê, Gunnar Berge.
"Durante sua presidência, a mediação de Carter
foi uma contribuição vital para os acordos de Camp
David entre Israel e o Egito, uma conquista já grande o
suficiente para qualificá-lo ao Prêmio Nobel da
Paz", prosseguiu.
Em outro trecho de seu discurso, Berge destacou que
"em uma situação atualmente marcada por ameaças
do uso da força, Carter permaneceu firme aos princípios
de que os conflitos têm, o mais possível, ser
solucionados por meio da mediação e da cooperação
internacional com base nas leis internacionais, do
respeito aos direitos humanos e do desenvolvimento econômico".
"Obviamente, estou muito agradecido ao Comitê do
Nobel por ter me escolhido", disse Carter à CNN.
"Acho que eles anunciaram claramente que o trabalho
do Centro Carter tem sido uma contribuição maravilhosa
ao mundo nos últimos 20 anos".
O Centro Carter foi criado logo depois que o
ex-presidente deixou a Casa Branca, há 21 anos, quando
foi derrotado pelo republicano Ronald Reagan em sua
tentativa de reeleição. "Quando saí da Casa
Branca, era um homem ainda jovem e descobri que talvez
ainda teria 25 anos ou mais de vida ativa",
acrescentou. "Então, capitalizei a influência que
tinha como ex-presidente da maior nação do mundo e
decidi preencher lacunas".
O prêmio, que leva o nome do filantropo sueco Alfred
Nobel, inventor da dinamite, concede ao vencedor o bônus
de 1 milhão de dólares.
Presidente democrata entre 1977 e 1981, Carter é
respeitado por seu trabalhão incansável em favor da
paz. Do Haiti à Coréia do Norte, sua militância corre
o mundo. Carter tem sido há vários anos indicado ao prêmio,
do qual aproximou-se em 1978, quando reuniu Menachen
Begin e Anwar Sadat em Camp David para promover a paz
entre Israel e Egito.
Lucas Tavares
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